No Dia dos Mortos fui me visitar

11/02/2017

Viver em plenitude é muito simples: Basta ser quem se é. Ah, entendi! Mas quem sou eu? Alguém aí tem alguma fórmula que desvende este mistério? Já descobri que não sou um corpo e sim espírito, natureza essencial interior que habita um corpo. Onde isso me levou? Não muito longe, já que esta essência parece reprimida, negada, resultando numa patologia ambulante: tenho medo da morte, a vida me angustia, o tempo me atropela, a culpa me corrói, a sociedade me cobra. Sinto-me tenso, frágil, sensível, doente.

 

 

 

Como posso saber quem sou eu se o que eu acredito ser não passa de uma estrutura artificial, produto daquilo que eu imagino ser reconhecido e valorizado pelos outros? É o que Vera Saldanha chama de ego. Não sou quem sou pelo simples fato de que aprendi a ser o que eu acho que os outros esperam de mim. Eis o dilema, pois jamais conseguirei ser o que os outros esperam de mim e isso me faz culpado, sempre em dívida em relação a esta culpa original. Tenho medo da morte porque intimamente sei que, a despeito do meu esforço, sou incapaz de atender às supostas expectativas alheias, incluindo às de Deus. Penso que serei, por isso, julgado e condenado.

 

Quem sou eu? Quem pergunta? Quem pergunta, cara pálida, não sou eu, mas sim a estrutura artificial, morta, que eu acredito ser. Por isso fui me visitar no Dia dos Mortos. Sim, fui me levar algumas flores envoltas em galhos de cedro. Jamais sairei deste círculo vicioso se não encarar isso de frente, se não despertar deste sonho moribundo.

 

Então, alguém aí tem um despertador? Preciso despertar do sonho! Mas acordar será só o começo, pois o despertar completo será um trabalho sistemático de desconstrução das estruturas egóicas artificiais com as quais me confundo. Pode levar várias existências porque a tarefa passa pela consciência e eliminação de tudo o que eu não sou, mas que acredito ser. Isso cheira a suicídio e o medo da morte paralisa. Por isso é tão difícil. É preciso se desidentificar, renunciar voluntariamente a tudo o que não seja vida, a tudo o que já está morto em mim por ser artificial. Talvez a pergunta mais adequada não seja “Quem sou eu?” mas “O que eu não sou?” para que cada um dos aspectos descobertos possa ser cremado, permitindo um renascer das cinzas. Ninguém entrará no reino dos céus se não nascer de novo.

 

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