Cerâmica do Vale do Jequitinhonha

Paulo Rathunde

Situado no nordeste de Minas Gerais, o Vale do Jequitinhonha seguiu pelas mesmas trilhas históricos do Estado, principalmente pela extração do ouro, diamante e pedras preciosas. Naquela região empobrecida após a decadência da mineração, uma antiga brincadeira de crianças se transformara em tradição: a produção de utensílios de cerâmica tais como panelas, potes, jarras e moringas que nas mãos das “paneleiras” foi transferida por gerações. Até a década de 1990, um dos menores índices de desenvolvimento humano do Estado, a seca torturante e o chamamento por mão-de-obra de São Paulo para onde iriam os homens do Vale em busca de trabalho, foi a combinação perfeita para o surgimento das chamadas viúvas da seca, mulheres que, sozinhas, tiveram que “se virar nos trinta” para dar conta das casas e sustentar os filhos.

Mesmo que insuficiente para garantir condições mínimas de dignidade, em 1993 o artesanato tradicional foi o estímulo que algumas daquelas corajosas mulheres precisavam para pensarem em alternativas à baixa renda das famílias. A produção de peças decorativas com qualidade e acabamento impecáveis, aos poucos foi superando a de peças utilitárias e se tornando a solução que aproveitava o talento, a história e a cultura de mulheres empobrecidas, mas fortes e cheias de esperança.

O caminho não foi fácil. A produção, que precisava chegar aos centros urbanos, exigia percorrer quilômetros a pé. Com o apoio da Emater e da Prefeitura Municipal, as mulheres fundaram a Associação dos Artesãos de Coqueiro Campo e construíram um galpão com as próprias mãos. O Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor/Mãos de Minas – CAPE - foi a ponte que precisavam para a ampliação do mercado. Aos poucos os maridos voltavam para ajudar na empreitada. Mas somente em 2006, com o apoio do SEBRAE, foi possível à Associação se consolidar como uma das 100 melhores unidades produtivas de artesanato do Brasil.

Foram treze anos de fé, luta e muito trabalho para que a qualidade de vida começasse a dar sinais de melhoraria. Foi preciso muita união e persistência para que aquelas artesãs pudessem chegar onde chegaram e se transformassem em uma referência para todos aqueles que tem um sonho. Nas palavras de Zezinha, uma das pioneiras, uma lição de vida e de sabedoria: “O dinheiro deve ser consequência de um trabalho feito com amor.” A cerâmica do Vale do Jequitinhonha está na Eco Nativa. Venha compartilhar com a gente esta história de sucesso!

Paulo Rathunde (Copyright Eco Nativa - permitida citação desde que informada a fonte)

Referência: SEBRAE, Histórias de Sucesso – comércio e serviços, 2007.

Postagens destacadas
Postagens recentes
Localize por tags
Siga-nos na rede
  • Facebook Classic

Compromisso com a vida!

(41) 99601-2638

eco.nativa.integral@gmail.com

facebook.com/econativa.integral

  • Facebook Classic
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now