Cerâmica do Vale do Jequitinhonha

05/31/2015

Paulo Rathunde

 

Situado no nordeste de Minas Gerais, o Vale do Jequitinhonha seguiu pelas mesmas trilhas históricos do Estado, principalmente pela extração do ouro, diamante e pedras preciosas. Naquela região empobrecida após a decadência da mineração, uma antiga brincadeira de crianças se transformara em tradição: a produção de utensílios de cerâmica tais como panelas, potes, jarras e moringas que nas mãos das “paneleiras” foi transferida por gerações. Até a década de 1990, um dos menores índices de desenvolvimento humano do Estado, a seca torturante e o chamamento por mão-de-obra de São Paulo para onde iriam os homens do Vale em busca de trabalho, foi a combinação perfeita para o surgimento das chamadas viúvas da seca, mulheres que, sozinhas, tiveram que “se virar nos trinta” para dar conta das casas e sustentar os filhos.

 

Mesmo que insuficiente para garantir condições mínimas de dignidade, em 1993 o artesanato tradicional foi o estímulo que algumas daquelas corajosas mulheres precisavam para pensarem em alternativas à baixa renda das famílias. A produção de peças decorativas com qualidade e acabamento impecáveis, aos poucos foi superando a de peças utilitárias e se tornando a solução que aproveitava o talento, a história e a cultura de mulheres empobrecidas, mas fortes e cheias de esperança.

 

O caminho não foi fácil. A produção, que precisava chegar aos centros urbanos, exigia percorrer quilômetros a pé. Com o apoio da Emater e da Prefeitura Municipal, as mulheres fundaram a Associação dos Artesãos de Coqueiro Campo e construíram um galpão com as próprias mãos. O Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor/Mãos de Minas – CAPE - foi a ponte que precisavam para a ampliação do mercado. Aos poucos os maridos voltavam para ajudar na empreitada. Mas somente em 2006, com o apoio do SEBRAE, foi possível à Associação se consolidar como uma das 100 melhores unidades produtivas de artesanato do Brasil.

 

Foram treze anos de fé, luta e muito trabalho para que a qualidade de vida começasse a dar sinais de melhoraria. Foi preciso muita união e persistência para que aquelas artesãs pudessem chegar onde chegaram e se transformassem em uma referência para todos aqueles que tem um sonho. Nas palavras de Zezinha, uma das pioneiras, uma lição de vida e de sabedoria: “O dinheiro deve ser consequência de um trabalho feito com amor.” A cerâmica do Vale do Jequitinhonha está na Eco Nativa. Venha compartilhar com a gente esta história de sucesso!

 

Paulo Rathunde (Copyright Eco Nativa - permitida citação desde que informada a fonte)

 

Referência: SEBRAE, Histórias de Sucesso – comércio e serviços, 2007.

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