Curso para Arquitetos, Designers e estudantes de Arquitetura

 

Criatividade no processo de projeto
A importância da Antroposofia na capacitação artística
Sustentabilidade e espaço construído

 

 

Conheça um pouco mais! Com a palavra, o Dr. Michael Mösch

Diagnóstico da situação:

A Arquitetura no Brasil está em pleno curso de transformação incentivado e motivado pelos princípios de sustentabilidade. A sustentabilidade envolve o âmbito natural, técnico, energético social e humano.

Cidades e sua arquitetura representam em grande parte o habitat do homem contemporâneo e apresentam variadas implicações na qualidade de vida de pessoas. A característica do espaço construído tem em grande parte sua base no projeto de arquitetura, respondendo aos problemas de necessidades humanas e técnico-construtivas. O conhecimento e a sensibilidade do projetista ou equipe de projeto em relação aos problemas apresentados influenciam fortemente a qualidade de projetos arquitetônicos.

 

No contexto contemporâneo, os problemas do ambiente construído são cada vez mais complexos, exigindo soluções de projeto e tecnológicas mais elaboradas, multi e interdisciplinares com avaliações e aprimoramentos contínuos. As pesquisas do processo de projeto em suas variadas fases e a gestão das atividades de projeto são importantes e devem considerar seu inter-relacionamento. Hoje percebe-se, em relação à arquitetura e sua ordem social, o apelo à responsabilidade dos profissionais da área em agregar qualidade humana em suas produções.

 

A Arquitetura Orgânica/Antroposófica desenvolve o espaço construído no sentido do bem-estar humano individual e cultural. Seu processo de projeto engloba a ‘formação de imagem’, vinculado à percepção e ao desenvolvimento da sensibilidade do indivíduo na arquitetura e tem como meta: extrair a maneira de observar, não do espírito do observador, mas da natureza do objeto. A ‘formação de imagem’ desencadeia um processo de conversão das diferenças de referências individuais em metas aliadas.

 

Contribuição educacional deste curso:

A expansão dos cursos de Arquitetura e Urbanismo indicam que o mercado de trabalho ficará cada vez mais competitivo, exigindo flexibilidade e maior qualificação profissional dos arquitetos, o que demanda um aprimoramento dos procedimentos adotados no processo criativo. Diante dessa perspectiva, torna-se indispensável estimular a criatividade dos futuros projetistas para que eles desenvolvam habilidades na busca de soluções e possam estar preparados para esse novo mercado de trabalho (ALENCAR, 1996).

 

Os métodos de estimulo ao pensamento criativo buscam desenvolver nos estudantes a capacidade de conceber diferentes ideias ou novas propostas, estabelecer relações entre elas, elaborá-las e finalmente avaliá-las. Desse modo, a habilidade do projetista em lidar com informações e transformá-las em solução de projeto é potencializada.

 

O ensino de projeto deve incluir métodos que forneçam aos alunos ferramentas sempre considerando as questões técnicas e as humanas para resolução de problemas de projeto, ou seja, que relacionem o projeto ao usuário e ao seu ambiente físico.

 

Da consideração que a arquitetura é importante para o usuário, emana a necessidade de agregar ao ambiente construído qualidade antropomorfa. O processo projetivo necessita de estudos e ferramentas de apoio, estímulo e avaliação para propiciar reflexões sobre questões artísticas e humanas.

 

A relação, ambiente construído e aprendizagem, vem sendo estudada por vários autores e demonstra que, especialmente, questões de conforto arquitetônico ambiental podem interferir no dia a dia do usuário. Embora a discussão de fatores estéticos ou qualidade formal e visual do edifício sejam profundamente controversas, devido aos seus aspectos não quantitativos, faz-se essencial no processo de projeto de arquitetura escolar.

 

Prolongar e intensificar o processo de observação e percepção na fase inicial da elaboração da arquitetura torna o estudante-projetista mais consciente na elaboração da formulação de problemas de projeto. Quanto à qualidade antropomorfa, a criatividade do projetista se dá ao nível do sensível. Trata-se do contexto anímico onde também os processos de criação sempre ocorrem no âmbito da intuição (OSTROWER 1987).

 

Agregando elaboração de imagens no âmbito de atividades artísticas dirigidas ao contexto do processo projetivo se dá a confluência entre observação e intuição. Da observação adentra-se no âmbito da percepção; opostamente, a intuição incita a geração de conceitos e ideias (VOORDT, 2005) e (MALARD, 2005). A intuição incita o ser humano a conceituar e por meio do conceito e da percepção, desenvolve suas representações mentais, os pensamentos (PROKOFIEFF, 2007).

 

A sensibilidade perceptória do ser humano a ambientes internos e externos não se restringe ao conforto térmico, acústico, visual e ‘funcional’. O sentimento, a sensação, a emoção e também o sentido sinestésico, afirma RITTELMEYER (1994), têm um papel importante na percepção e consequente representação mental do espectador, proporcionada pela arquitetura. Impregnam na percepção, quando confrontada com a estética da expressão arquitetônica, tensão e dinamismo para em seguida retroceder e equilibrar-se, fazendo finalmente com que a vivência paire na serenidade.

 

A criatividade e o processo criativo, alicerçados na cognição humana, desencadeiam o processo projetivo arquitetônico em consideração ao ser humano. O ‘processo de formação de imagem’ no início do processo projetivo incentiva a observação e a percepção na elaboração do programa de necessidades. O conjunto dessas atividades proporciona ao resultado valores inerentes à natureza anímica e espiritual do ser humano uma arquitetura de qualidade antropomorfa.

 

O próprio espaço, as vivências de formas espaciais e arquitetônicas conduzem, segundo OSTROWER (1999), ao conhecimento do mundo e ao autoconhecimento do indivíduo. Assim, BOSI (2006) sugere que a arte faz com que o ser humano relacione-se com o universo e consigo mesmo. O perceber sensibiliza o ser humano e o perceber por meio do processo artístico capacita e habilita o ser sensível. No capítulo: ‘criatividade e processo criativo’, foi abordado o papel da arte no processo projetivo e seu papel de conscientização no que diz respeito ao levantamento de necessidades e elaboração de problemas de projeto.

 

GARDNER (1999) afirma que atividades sociais voltadas à arte desencadeiam um processo de conversão das diferenças de preferências individuais em metas aliadas. A ‘formação de imagem’ é um processo individual artístico que, compartilhado em grupo, conscientiza na elaboração do problema de projeto em escala ampla.

 

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Docente: Dr. Michael Mösch

 

Brasileiro e suíço, Dr. em Arquitetura e Urbanismo pela UNICAMP, Me. em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Técnica de Delft, Holanda, Graduação Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Técnica de Delft Holanda.

 

Atuou profissionalmente com arquitetura na Holanda e no Brasil em projetos de residências, escolas públicas e particulares, laticínios, igreja, auditórios, obra de eventos e prédios residenciais.

 

É Diretor da MEM-Arquitetura Ltda em Botucatu – SP. De 2010 a 2015 foi Secretário Geral da Sociedade Antroposófica no Brasil.

 

A partir de 2010 passou a ser coordenador no Brasil de práticas meditativas com base na Antroposofia em Florianópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Aracaju. Desde 2015 é coordenador e Professor da Faculdade de Arquitetura Galileu em Botucatu.

 

Participa e coordena um trabalho em grupo no Encontro Internacional ‘Living Connections’ no Goetheanum, Suíça.

 

 

Arquitetura Orgânica Contemporânea

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